4.11.07

Nimbus

Faltam-me as palavras,
os sentimentos
Sinto falta do senso crítico
Sinto apenas, não raciocino.

Foram os beijos doces que me entorpeceram?
Ou ilusões criadas nesse tempo,
aquele, que passamos juntos
onde nada nos impedia de viver
tal como nos permitíamos?

Os braços firmes da certeza me ergueram
Os carinhos me enlouqueceram
Me deixando assim, sem ação,
Permitindo, por fim, uma abertura no coração...

Para que?
Nem mais sei que perguntas fazer
Voltei à estaca zero, a qual nem deveria ter saído
Iludida pelo que "podia ser vivido"...

Nem as lágrimas vêm
para aliviar a angústia
limpar a alma
levar com elas, o torpor

Esse versos estão perdidos porque não tenho nada mais a oferecê-los
Minhas ferramentas enferrujaram-se
Vou guardar-me dentro da caixa e também oxidar

Não vê a chuva que cai?
Foi trazida pelo vento gélido que me jogastes nas costas
Não e peça,
não posso trazer o sol de volta
Ele é reflexo da minha alma
sem mais meu sorriso como seu guia
Não há mais alegrias

Por isso cai a tempestade
que carrega consigo tudo abaixo
Escorrendo pelos cantos
impulsionada pelas lágrimas.

Logo, as nuvens irão esparçar
Um misto de ruim e bom, vão se reverzar
Mas talvez seja impossível que
Nimbus não surjam quando em minha memória você vagar
e deságuem minhas mágoas
sendo dissolvidas
para longe, sendo levadas

Um dia a luz voltará a rasgar o céu
rompendo com o clima
trazendo consigo o calor de volta
Só não me peça agora.
O sol não cabe mais em minhas mãos
não tenho como embalá-lo e trazê-lo.

Ele que nos guiava todos esses dias
estrada a fora, pela vida.
Mas agora, meus olhos não secam mais
não há o que me contente
e impeça que a chuva caia.

É questão de aguardar o vento
para que disperce, esparce
tudo que flui pelo peito...

Talvez não seja o melhor jeito
Já que depende só de mim
que o sol seja sem fim
Que nasça e resnasça todo o dia
(aqui, em mim)

>>Um devaneio de Beta em 3:05 PM
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13.7.07

Cegueira

Eu não quis notar, o quanto te fiz sofrer
Sabia da existência dessa dor, mas acreditei em sua autocura
E me acovardei também ao não insistir em tocá-la
Seguindo quase impune por uma realidade inconstante

Foi necessário expor-me à mesma face
para notar a dimensão que ela abrange
Revisitei o passado no intuito de convencer-me estar errada,
de encontrar respostas,
de não ter culpa...

Foi em vão

Sobrou uma tela adiante, projetando as imagens escondidas pelos meus cantos,
jogando-me para o fundo da sala
Restando-me juntar aos poucos, os pedaços da alma

Espero que haja cura
Paz
Tempo...
Para nós, nossas vidas e uma contínua alegria de nos pertencermos
Como somos, sem donos, sem dogmas
Esperando e perdoando.
Só sendo...

>>Um devaneio de Beta em 11:41 AM
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23.2.07

"Às vezes, me sento na janela.
Mesmo com 10 andares até as plantas dos pés,
fixo o olhar no horizonte
para onde quero me jogar.

É como se a liberdade só fosse possível através das asas
Abertas, impunes... leves como a alma
Guiada pelo vento
planando em meio ao nada

Fujo dos pensamentos
sentimentos
sensações demasiadas
que sufocam o ser e me deixam amarga...
Com um gosto latente que atravessa no pescoço
desfaz-se em água, mas deixa o enjôo
Nauseas imaginadas que se tornam plácidas
em meio ao corpo lançado de um lado ao outro lado

Me calo

Choro

Desmaio a cabeça para recomeçar
abraçada às janelas
Frias, rígidas, insossas
Mas reais
Como o quarto, a cama, armários, cadeira... que me fazem cambalear para trás.
Deleito-me em meio aos lençóis e fronhas
descansando o corpo, relaxando,
trazendo a calma do sono querido
Criando nos sonhos, imagens, que transformam a vida e fazem com que o novo dia
seja possíavel, passível e real."

>>Um devaneio de Beta em 12:58 PM
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25.9.06

Shaná Tová!
(Saudação do Ano Novo Judaico - é sempre bom lembrar que o ano, os meses, os dias e a vida em si, sempre recomeçam. Dar um ar de esperança, renovação, independente de crenças religiosas e pensamentos ideológicos)

"A humanidade eh como uma arvore. Cada ser humano estah conectado com a Semente e pertence a mesma arvore. A beleza da arvore eh que ela tem diferentes galhos e em cada galho, numerosas folhas. Todos os individuos tambem sao diferentes e tem seu proprio papel. Pense sobre o que temos em comum e iremos apreciar cada ser humano. Esta eh a chave para permanecer em paz."

Organizacao Brahma Kumaris
www.bkumaris.org.br

Beijos,
Beta.
:o*
:o)

>>Um devaneio de Beta em 1:06 PM
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1.11.05

"Appliquer directement sur les lèvres e renouveler aussi souvent que nécessaire."

Por que será que em francês as palavras e frases consequentes delas, têm sempre latente um "ar" duplicidade, levemente eróticas, mesmo quando anunciam a utilidade de um produto simples, como um creme labial?
Ou seria eu que tenho me deixado influenciar, já que as utilidades atuais para ambos, são além do que as costumeiras??
;o)
Hehehe, vai saber!

>>Um devaneio de Beta em 2:47 PM
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Consciência

Chega um momento em que tudo parece caminhar para uma deserta e distante encruzilhada.
Passam-se moinhos-cataventos, cidades, histórias, desvios, córregos, curvas sinuosas... tudo observado atentamente pelas janelas reluzentes dos olhos.
Mas que julgam-se levemente ingratos por cerrarem-se molhados ao encontro repentino com a dúvida imposta pela estrada, trazendo ao presente, decisões tomadas já passadas, deixando o corpo em um estado latente de estagnação.
Sobressaiem-se o desejo de retroceder, o gosto amargo de não ver mais no traçado percorrido, as imagens antes deliciosamente engradecentes ao ser.
Era só a vida sendo generosa, de súbito, para depois mostrar-nos a verdade dos quereres.
E já não há mais como seguir sem que as consequências das escolhas, os percalços, atropelamentos, transeundes, e nossa influência nessa confluência de ações, sejam desconsiderados, pois é o TODO que nos faz únicos e inteiros, certos do que somos, pensamos e vivemos.
Sucumbindo em meio à angústia da escolha, que trava na garganta qualquer palavra, suspiro ou expressão, faz-se presente a opção adequada ao momento e gera, passo após passo, o retorno às imagens, falhas ou não, que despreendem nosso destino de algo palpável, pousando sobre nós as asas largas e abertas da liberdade, confortante, com gosto de brisa suave passeando pelos cabelos.
E sempre, sempre, reconfortante.

>>Um devaneio de Beta em 2:34 PM
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27.4.05

Se eu pudesse, te daria um beijo agora
Daqueles longos, profundos...
Que delicia os labios lentamente,
saboreia a boca por inteira
Desperta o desejo avido, antes talhado no peito
E transforma horas em um momento
So meu e seu
Ignora o mundo de fora
Trazendo a paz que acalenta o corpo, fortalece a alma
E transmite apenas sentimentos
Sem perguntas, nem padroes
So eu e voce
E o desejo
O doce gosto carnudo trocado
Tocado
Por dentro, por fora
Como antes apenas imaginado

Conformo-me agora com a lembranca
dessa marca deixada e que me leva adiante
Tao exultante
Que nao permito ser apenas isso
Aguardo e anseio
Revirando-se em meio ao seio, saltitante e infantil
O desejo incubado
Que gera matrizes
Origens de sonhos novamente almejados...
Para isso, espero-te ao meu lado.

>>Um devaneio de Beta em 3:50 PM
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